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Fim da história. O caso do cine Belas Artes, "point" cultural preferido de 9 entre 10 cinéfilos da cidade de São Paulo chega ao fim. O Compresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo), que foi encarregado de analisar o pedido de tombamento do prédio do antigo cinema ao Patrimônio Histórico da cidade, decidiu que o Belas Artes não reune as características que justificassem sua preservação. A decisão dos conselheiros baseou-se num parecer da Procuradoria da Prefeitura, que se posicionou contra o tombamento, por considerar que o prédio não continha relevância arquitetônica para tornar-se referência historica na cidade. A bem da verdade, isto não é totalmente incorreto. Embora seja uma sala antiga, o Belas Artes, antigo Trianon, já nasceu moderno. Ao contrário de palácios cinematográficos como o Marabá, o Ipiranga, o Paissandu, o Marrocos, o Dom José, o Paramount e até mesmo o Art Palácio, a arquitetura do cinema "cult" já denunciava sua inclinação não clássica com as formas excessivamente retas, quadradas e de galpão, como muitas outras salas da cidade. Com o passar do tempo, e depois da iniciativa da empresa Serrador e da Sociedade Amigos da Cinemateca, nos anos 1960, de transformar o antigo cine Trianon em Belas Artes, para oferecer o que havia de mais refinado e alternativo em termos de cinematografia mundial, acabou por construir um mito. Ou seja, o Belas Artes era cinema de essência, onde se exibia filmes que faziam pensar, sentir, deleitar, e não apenas de emoções fúlgidas e baratas como nos espetáculos mais comerciais e, por assim dizer, populares. A nata intelectual, artística e social de Sampa tinha compromisso certo naquele cinema. Os narizes empinados, as roupas refinadas ou "da moda", além dos olhares de desdém para os transeúntes não eram raros. O Belas Artes era um cinema de elite, de intelectuais, não para qualquer público. O mito estava criado e consolidado. Porém, o prédio tem dono e, pelo jeito, trata-se de alguém que não tem esta paixão pelo cinema, nem mesmo como negócio.
A família Maluf, pelo que consta, foi a fundadora do cinema, na década de 1950. Apesar dos administradores da sala terem se alternado nas últimas décadas, os Maluf permaneceram como proprietários do imóvel. O mais recente herdeiro decidiu dar um ponto final na carreira de exibir filmes do seu imóvel, vislumbrando lucros maiores na exploração de outros ramos de atividade.
Sendo cinéfilo como sou, inevitavelmente fico triste em ver um dos últimos cinemas de rua da cidade sem expectativa de voltar a funcionar. Porém, esta mesma cidade oferece muitas alternativas para salas com as características do Belas Artes. Na antiga cinelândia, no centro velho, muitos dos cinemas hoje desativados seriam uma boa opção a se pensar. Além de ajudar no processo de revitalização da região, trazendo um público mais exigente a frequentá-la, seria um alento ter novamente toda esta cinematografia de classe exalando seu perfume naquela região.
Adeus, Belas Artes. Como paulistanos e apaixonados pela sétima e melhor das artes, agradecemos tudo que pôde nos oferecer. E torcemos para que possa renascer revigorado, talvez num outro endereço, a altura do clássico que foi, para preservar, de fato, a memória da cidade.
Ok, vamos torcer. Por enquanto, vou continuar a tirar fotos das fachadas dos grandes cinemas.... Abraços
Obrigado, amigo, vamos torcer sim. Abçs
Meu amigo Sérgio, obrigado pela resposta. E foi um prazer ver o comentário da amiga Eli Mendes. Na verdade, torço para que o Sturn leve sua programação para um dos grandes cinemas, tipo Paissandu, Art Palácio, Ipiranga ou mesmo Marrocos, preferencialmente com a sala com sua lotação máxima. Na sua segestão, como no caso do Astor, ainda dói um pouco entrar naquela Cultura e ver o cinema desaparecido, apenas o "oco". Uma grande sala onde vi o Titanic em 1998. O meu sonho é, pelo menos uma dessas grandes salas que citei, reabrir, com toda sua áurea de Palácio Cinematográfico. Passei outro dia em frente ao Paissandu... A placa ainda está lá, mesmo a da bilheteria. Gostaria tanto de entrar para ver como está por dentro. Será que se consegue entrar em algum desses cinemas grandes que estão fechados???
Resposta:
Mauricio.
Dói em mim, também. Mas eu prefiro um milhão de vezes um espaço cultural como a Livraria Cultura ali onde era o cinema do que um estacionamento ou uma igreja. E, a bem da verdade, os Herz fizeram um trabalho fantástico naquele Conjunto Nacional, além de terem mantido uma sala de teatro dentro da livraria e serem os administradores do antigo Cine Rio, na galeria, que se chama, agora, Cine Livraria Cultura. O máximo! Meu amigo, entendo o seu pesar, mas o cinema, como o conhecemos na nossa infância, com grandioso espetáculo, acredito que não aconteça mais. Ainda existem filmes brilhantes, mas eles tiveram que se adaptar às novas mídias e, em consquência, diminuiu de estatura. Obras como "Os Dez Mandamentos", "Ran", "Ben-Hur", "Cantando na Chuva" não cabem mais no tacanho espaço que foi reservado ao cinema. Enquanto espetáculo público, tendo que se manter como negócio, o cinema não sustenta mais salas com mais de mil lugares como antigamente. Que fique a cultura, apesar de tudo. Abraço.
Alguma novidade em relação a essa possível reabertura de algum antigo cinema do Centro?
Resposta:
Ola, meu amigo.
Olha, pelo que sei, agora o Governo do Estado entrou na briga e iniciou um processo de tombamento do prédio, já que os orgãos municipais declinaram. Essa história vai longe. E o burro do proprietário tá com o prédio fechado, dando despesa, sem ganhar um tostão. A velha história de que a ganância não leva a nada. Mas, caso não dê em nada, eu não tenho muita certeza de que o chorão do Sturm vá querer os filmes requintados dele exibidos no centro velho. Eu, particularmente, acho que daria uma força e tanto para aquela região. Aliás, outra coisa que eu acho que seria o máximo, seria abrir uma Livraria Cultura lá no centro, bem no meio da cinelândia, da mesma forma que fizeram com o cine Astor no Conjunto Nacional. Pegar um cinema grande como o Paissandu, deixar a sala de cima como um cine-teatro e a parte de baixo fazer uma Mega Store da Livraria Cultura. O que acha? Abraço.
Sim, outras salas do centro poderão tornar-se adiante uma referência para exibições de filmes "cult". É uma forma também de contribuir para revitalização da região central, tão castigada.



BRASIL, SAO PAULO, SAO PAULO, SANTANA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Livros, Memorabilia de cinema
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